Igreja Ortodoxa Russa (Patriarcado de Moscou)
Biblioteca de literatura missionária em diversas línguas.
Projeto do Departamento Missionário Sinodal "Tradutor Ortodoxo".
Português

COMO SURGIU O MUNDO? ACASO OU DESÍGNIO?

Esta pergunta inquieta a humanidade desde tempos imemoriais. Hoje, é-nos frequentemente proposto uma resposta aparentemente simples: tudo surgiu por si mesmo, como resultado de uma cadeia de eventos aleatórios. Mas perguntemo-nos outra questão, não menos importante: o que está por detrás disso? Quem pôs tudo em movimento e dotou o mundo de uma harmonia tão admirável?
Olhe à sua volta. Observe a perfeição e a complexidade do universo. Não o impressiona que do caos tenha podido nascer uma precisão tão extraordinária?

Uma coordenação impressionante. O nosso Universo assenta em constantes físicas fundamentais. A força da gravidade, a massa do protão, a carga do eletrão — se apenas uma destas grandezas se alterasse numa fração ínfima, a vida no Universo seria impossível. Será isto mero acaso ou sinal de uma afinação finíssima?

Uma beleza inexplicável. Para que serve à natureza tanta beleza excessiva? Para que servem à rosa pétalas tão requintadas e um aroma tão delicado, se o único propósito é atrair abelhas? Para que brilha a neve com uma simetria perfeita, se derrete e ninguém a vê? Poderá uma força cega e sem propósito criar tal diversidade infinita e magnificência?

Quando vemos um mecanismo complexo, como um relógio, não duvidamos que teve um mestre, um criador. Compreendemos que as engrenagens e as molas não se juntaram sozinhas na ordem correta. O universo, o nosso planeta, o organismo humano — são incomensuravelmente mais complexos e perfeitos do que qualquer relógio. Será possível que tudo isto não tenha tido um Criador?

Este argumento — da complexidade e da finalidade do mundo à existência de um Criador Inteligente — chama-se teleológico. E conduz-nos ao grande mistério que a Bíblia nos revela.

O relato bíblico: não só o “como”, mas o “porquê”

A Bíblia responde às grandes perguntas que os métodos científicos não podem alcançar:

Quem? «No princípio, criou Deus os céus e a terra» (Génesis 1:1). A origem de tudo não é uma força cega, mas uma Pessoa livre, inteligente e amorosa.

Porquê? O mundo foi concebido como uma casa bela e harmoniosa para o ser humano. Após cada etapa da criação, repete-se o refrão: «E viu Deus que era bom». O Universo foi criado como um bem, como um dom.

Qual o sentido do homem? O coroamento da criação é o ser humano. A sua criação é um ato especial. Deus cria-o «à sua imagem, à imagem de Deus o criou» (Génesis 1:27). Isso significa que cada um de nós traz em si a marca do Criador — uma alma imortal, o dom da liberdade, a capacidade de amar, criar e conhecer.

Aqui está a diferença radical entre as duas visões. Se o mundo é fruto do acaso, então a vida, em última análise, não tem sentido superior. Somos apenas um produto aleatório de reações químicas num terceiro planeta junto a uma estrela mediana. Mas se o mundo é criação de um Deus amoroso, tudo ganha sentido. Tanto a galáxia como a folha de ácer, como a nossa vida — tudo faz parte de um grande e belo Desígnio.

Cada grão de areia, cada ervinha existe porque assim o quis Deus. E o homem não é apenas um «primata superior». É uma criatura amada, chamada a ser não um mero consumidor passivo, mas colaborador de Deus, guardião e transformador deste mundo.

Por que isto é importante para si pessoalmente?

Crer que o mundo foi criado por Deus muda tudo.

Sentido de fundamento. A sua existência não é um erro nem um acidente. Você é desejado, foi pensado. A sua vida tem um propósito e um significado supremos.

Fundamento para o bem e o mal. Se Deus não existe, as noções de bem e mal são arbitrárias. Mas se o mundo foi criado por uma Vontade boa, o bem e o mal são objetivos. A nossa consciência não é apenas um instinto social, mas o eco da voz do Criador na nossa alma.

Resposta à saudade da eternidade. Sentimos nostalgia do perfeito, do amor e da eternidade porque o nosso Pai é a sua Fonte. O mundo é demasiado complexo e belo para ser acaso. Parece-se mais com uma majestosa sinfonia. E onde há sinfonia, há um Compositor.

Pode fazer uma pequena experiência. Saia para um passeio e olhe para o mundo à sua volta não como de costume, mas como um milagre. A beleza do pôr do sol, a complexidade de uma flor, o sorriso de uma criança. E pergunte-se: «Isto poderia mesmo ter surgido por si só? Ou por detrás de tudo isto está um Criador amoroso e genial?».

Depois, dirija-se a Ele simplesmente, com as suas próprias palavras: «Senhor, se existes, Criador de tudo isto, revela-Te a mim. Ajuda-me a ver-Te na Tua criação». E esteja aberto à resposta. Ela vem ao coração que procura.